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Estudante de Medicina Veterinária.
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sexta-feira, 5 de março de 2010

Tireóide


A Tireóide é uma glândula composta por dois lobos ligados por um ístimo (faixa de tecido). A posição dela e o tamanho do ístimo variam entre as espécies. Nas aves a Tireóide fica próxima às seringes, devido a isso, quando esses animais possuem uma deficiência de iodo e a tireóide aumenta o seu tamanho, esta para de cantar. Histologicamente a tireóide é igual entre as espécies, variam apenas anatomicamente.
Os lobos são compostos por folículos, no interior desses folículos encontramos um material denominado colóide. Ao redor do folículo, encontramos uma camada de células, denominadas células foliculares. Encontramos também células ao redor, porém separadas do folículo, conhecidas como células parafoliculares.
As células foliculares produzem T3 e T4, enquanto que as parafoliculares produzem calcitonina.
A glândula Tireóide através das células foliculares capta grandes quantidades de iodo (escasso na circulação), o iodo é matéria prima para a produção desses hormônios (T3 eT4), essa captação é feita contra o gradiente de concentração. O iodo na circulação é encontrado na forma ionizada (iodeto), para que o iodo fique "aprisionado na célula", ela o modifica, oxidando-o (iodo zero). Essa oxidação é feita por uma enzima conhecida como tireoxidase. Percebemos então, que uma deficiência dessa enzima, comprometeria todo o sistema de produção desses hormônios.
A Tireóide não utiliza apenas o iodo como matéria-prima, utiliza também a Tirosina (aminoácido). A tirosina também é captada pelas células foliculares de forma ativa, por isso, para evitar que a tirosina captada saia novamente da célula, a glândula liga uma tirosina na outra, formando então uma proteína, a tireoglobulina. As proteínas não saem tão facilmente e ela pode então começar a trabalhar.
Após esse processo de captação, a tireoxidase começa a acrescentar iodo à Tireoglobulina (iodação da tireoglobulina). Em cada aminoácido pode ser acrescentado 1, 2 ou nenhum iodo. Ao acrescentar iodo ao aminoácido, a tireoxidade também torna algumas ligações entre as tirosinas mais fortes, impedindo-as de se desligarem esse processo ocorre aleatóriamente. Em alguns locais essa ligação mais forte é util, em outros não.
Concluimos até o momento que, a tireoxidase está envolvida em três importantes etapas: a oxidação do iodo, a iodação da tireoglobulina e na estabilização das ligações entre algumas tirosinas. Essas ligações estáveis são quebradas facilmente quando estão na circulação, pelo fígado por exemplo, mas a célula folicular não consegue fazer isso.
A Tireoglobulina iodada, com ligações estabilizadas, fica armazenada no colóide. Do colóide essa proteína e lançada no citoplasma das células foliculares, estas por sua vez, separam o que é útil para elas e o que não é, quebrando a molécula onde as ligações não estão estáveis.
Quando a molécula é quebrada, encontramos tirosinas sem nenhum iodo, com 1 iodo (MIT), com 2 (DIT), com 3 (T3) e com 4 (T4). As tirosinas com nenhum, 1 e 2 iodo, são reaproveitadas novamente como matéria prima, para a formação desses hormônios.
O T3 e o T4 não são proteicos e nem esteróides, mas, são hormônios e por isso são classificados como lipossolúveis. Possuem aminoácidos na sua formação, mas não são proteicos, pois a cadeia é muito pequena, composta apenas por dois aminoácidos e por isso não podem ser classificados como tal. Por serem lipossolúveis, não podem ser estocados. A tireóide porém, consegue estocar eles quase prontos, ou seja, a molécula inteira de tireoglobulina, quando essa molécula é quebrada esses hormônios vão para a circulação automaticamente.
Na circulação se ligam a uma proteína de transporte, que pode ser TBG e Pré-albumina (transporte exclusivo ao T3 e T4) ou a albumina (proteína plasmática inespecífica). Nem todas as espécies possuem o TBG, ex: gato doméstico. A maior parte desses hormônios são carreados por proteínas de transporte exclusivo, até por que a albumina pode se desligar do hormônio, caso encontre outra substância com maior afinidade.
Encontramos no sangue uma fração ligada a ptns e outra livre para atuar nas células. Mais de 90% está ligada, o que nos leva a concluir que esses hormônios ficam por bastante tempo na circulação. Por esse motivo um dia com uma alimentação pobre em iodo não causaria grandes impactos.
Como sabemos, os receptores para hormônios lipossolúveis estão no interior da célula. Quando esse tipo de hormônio entra na célula ele age diretamente no núcleo, "escolhendo" as sequências de DNA necessárias à produção de uma determinada proteína (processo mais demorado). Tanto T3 como T4 se ligam a célula, mas, só um deles faz com que ela trabalhe de fato. O T3 é o menos produzido, é ele que age realmente na célula. O T4 é o mais produzido, e chegando à célula ela decide se trabalha para ela ou não. Ela faz isso o convertendo em T3, ou seja, é uma decisão exclusiva de cada tecido, dependendo das suas necessidades. Basicamente, o T4 entra na cél. e pergunta se ela precisa de mais mão-de-obra, se precisar o T3 dá a ordem para ela transformar o T4 em T3. Ou essa transformação ocorre ou o T4 é convertido a uma forma inativa.
A função do T3 é aumentar o metabolismo, ele faz com que a cél. trabalhe muito, mas também com que ela gaste muita energia e para isso é necessário utilizar as reservas do organismo. Um orgão doente por exemplo, não dispõe de tanta energia, se eles gastarem suas reservas energéticas, eles morrem. Por isso, não ativam T4 com tanta frequência, inativam na maioria das vezes. O T3 mantém um metabolismo mínino (basal), por que menos pode afetar várias funções. Para aumentar o metabolismo acima do basal é necessário recrutar mais T4 e convertê-lo em T3.
Um bom exemplo é quando o organismo é infectado por um microorganismo. As células do tecido envolvido na atividade de recuperação (nesse caso, cél. de defesa), fazem essa transformação para trabalhar mais e solucionar o problema. Da mesma forma, atua nos neurônios, aumentando o impulso, e nas células musculares, aumentando a contração, entre outros.
Assim como ocorre o nanismo hipofisário (GH), pode ocorrer um nanismo não-hipofisário, já que o GH depende desses hormônios para atuar de forma adequada e vice-versa, já que atuam em conjunto.

GH e Prolactina



GH e Prolactina

O GH é o hormônio do Crescimento. A deficiência na sua produção em uma criança provoca Nanismo, e esse hormônio em grandes quantidades em uma criança provoca o Gigantismo. Quando o animal chega à fase adulta e a partir desse momento passa a produzir grandes quantidades desse hormônio, ele não vai crescer mais, mas, pode ter acromegalia (aumento das epífises).
A ação do GH faz com que o fígado produza substâncias denominadas Somatomedinas. Essas substâncias fazem o Feed Back negativo (inversamente proporcional) para o GH, ou seja, o aumento das Somatomedinas, diminuem a produção do GH, seja diretamente pela Adeno Hipófise (atuando sobre ela e consequentemente reduzindo a sua produção) ou indiretamente atuando no Hipotálamo, já que este produz o GH-IH (hormônio inibidor de GH que atua na Adeno hipófise, interrompendo sua produção). Os efeitos das Somatomedinas em pessoas saudáveis ainda estão sendo estudados.
A prolactina é um hormônio que promove para os envolvidos na prole um comportamento relacionado ao cuidado parental. Nas fêmeas de mamíferos é a responsável pela produção de leite. Nos peixes, o fato de subirem o rio para desovar, representa um comportamento parental, de cuidado, só que em menor grau, já que neste local os filhotes se desenvolvem melhor. Outro exemplo interessante é o caso dos lobos, em uma matilha apenas uma fêmea é capaz de reproduzir, é conhecida como fêmea alfa, mas, todas as fêmeas do grupo produzem leite, para preservar a prole caso a fêmea alfa venha a óbito.

Hipófise


Hipófise

A hipófise é dividida em Adeno Hipófise e Neuro Hipófise.

Neuro Hipófise

A Neuro Hipófise é constituída por neurônios neurosecretores, também conhecidos como neurônios especiais. São na verdade, axônios de neurônios do hipotálamo, ou seja, os neurônios especiais são uma "parte" dos neurônios do hipotálamo que passam por ela. Esses neurônios não estão ligados a outro neurônio ou a uma placa motora, mas sim, a um vaso sanguíneo, dessa forma o seu produto é lançado direto na circulação. A Neuro Hipófise faz a produção e estoque de hormônios proteicos. São eles ADH e OCITOCINA.Os neurônios que produzem ADH, são diferentes dos que produzem ocitocina, por isso recebem estímulos diferentes.


ADH
O ADH também citado por alguns livros como vasopressina, é responsável por reduzir a produção de urina. É liberado quando ocorre uma redução na pressão arterial (PA). Quando ocorre uma diminuição da PA, os baroreceptores localizados no átrios, aorta e carótidas emitem um estímulo nervoso que chega a Neuro Hipófise, fazendo com que ela libere o ADH estocado. Esse hormônio atua nos rins aumentando a reabsorção de água dos túbulos contornados distais, dessa forma aumentando a quantidade de água no vaso sanguíneo e consequentemente a PA.
OBS: Existem outros mecanismos envolvidos no controle da PA exercido por outros hormônios, como a diminuição do calibre do vaso, ou a reabsorção de sódio, que traz consequentemente com ele água, mas por enquanto estamos vendo apenas a função do ADH.

Curiosidades:
O Álcool afeta a produção de ADH, por isso a pessoa desidrata.
A diabete insipidus é provocada pela deficiência de ADH, fazendo com que o indivíduo urine muito. diabete insipidus= urina sem sabor. (exatamente, antigamente eles provavam a urina).

OCITOCINA

A ocitocina é produzida com a finalidade de atuar principalmente em dois momentos: promovendo a ejeção do leite e na hora do parto. Atua também de outras formas, mas não são suas principais funções, como por exemplo, na hora da expulsão do sptz no macho. Conforme aumenta o estímulo do filhorte no sugar da teta, aumenta ocitocina (feed back positivo).
Um animal pode estar amamentando um filhote com outro no útero, esse animal precisa da ocitocina para ejeção do leite, mas esse hormônio não atua no útero, promovendo o parto. Isso acontece por que os receptores uterinos só começam a parecer conforme se aproxima a hora do parto. Se isso não acontecesse, ocorreria o aborto.
OBS: As células que contraem para explusar o leite sob ação da ocitocina, são denominadas céls mioepliteliais.

Adeno Hipófise


A Adeno Hipófise possui uma relação direta com o Hipotálamo, através do sistema porta-hipofisário (vaso sanguíneo exclusivo entre eles). Através desse sistema tudo o que é produzido pelo Hipotálamo é primeiro oferecido a Adeno Hipófise, esta utiliza o que precisa e o que não é utilizado por ela permanece na circulação.



Os hormônios principais da Adeno Hipófise são:



  • ACTH (Hormônio Adenocorticotrófico)- atuação no córtex da adrenal

  • TSH (Hormônio Tireoestimulante)- atuação na tireóide

  • FSH (Hormônio Folículoestimulante)- atuação nas gônadas

  • LH (Hormônio Luteinizante)- atuação nas gônadas

  • GH ( Hormônio do Crescimento)- atua em quase todas as células

  • Prolactina- atua na glândula mamária
    OBS: O GH e a Prolactina são produzidos e lançados no sangue, não atuam em outra glândula.


Os principais hormônios do Hipotálamo são:



  • ACTH-RH (Hormônio Liberador de ACTH)

  • TSH-RH ou TRH (Hormônio Liberador de TSH)

  • GnRH (Hormônio Liberador de Gonadotrofinas)- estimula a produção de FSH e LH

  • GH-RH (Hormônio Liberador de GH)

  • GH-IH (Hormônio Inibidor de GH)

  • Dopamina (inibidor da prolactina)

Hormônios Proteicos e Esteróides

Endocrinologia

Os hormônios são substâncias produzidas pelo organismo e lançadas no sangue, responsáveis por estimular ou inibir uma determinada atividade. As glândulas (orgãos responsáveis por secretar substâncias) podem ser divididas em gl. endócrinas e exócrinas. As exócrinas lançam o seu produto no meio externo ou relacionado a ele, ex: gl. sudoríparas (produzem o suor). As endócrinas são as que produzem hormônios, são caracterizadas por lançar o seu produto no sangue. Também podemos encontrar glândulas envolvidas nas duas funções, essas são denominadas gls. mistas, como é o caso do pâncreas.
Entendemos então, que o hormônio é produzido por uma gl. endócrina que utiliza o sangue para chegar ao seu destino. Eles agem apenas em células que possuam receptor para eles.
Existem dois tipos principais de hormônios são eles: h. proteicos e esteróides.

Hormônios Proteicos

Os proteicos são formados por aminoácidos e são hidrossolúveis, devido a isso são transportados livremente na corrente sanguínea, ou seja, não necessitam de substâncias carreadoras e também não atravessam barreiras lipídicas, como a membrana celular sem o auxílio de um receptor. Quando o hormônio proteico se liga ao receptor da célula na membrana celular, ele ativa um 2 mensageiro (ex: cAmp - Amp cíclico, Inositol tri-fosfato - IP3 e Ca), que informam a cél o que ela deve realizar, ativando uma proteína para exercer uma função. Como exemplo disso, temos: A insulina chega a célula, esta células ativa uma proteína carreadora de glicose, que transporta a glicose que está com a insulina, da membrana para o interior da célula. Esse hormônio proteico transportado livremente na circulação precisa encontrar a células, caso contrário ele é destruído. Ex de hs. proteicos: glucagon, insulina, ocitocina.

Hormônios Esteróides

Os esteróides são derivados do colesterol. As células produtoras desse tipo de hormônio, utilizam o colesterol que fica estocado dentro de gotículas de lipídeos no interior da própria célula. O LDL é uma lipoproteína que tem como principal função transportar colesterol. Na microscopia as células produtoras são observadas com mitocôndrias bem desenvolvidas e muitas vesículas, as mitocôndrias são responsáveis por "quebrar" o colesterol que fica armazenado nessas vesículas.
Esse tipo de hormônio é lipossolúvel, por isso não podem ser estocados, pois a membrana celular é lipídica, fazendo com que eles consigam entrar e sair facilmente da célula, pelo fato da membrana não constituir uma barreira lipídica para eles. Por serem hidrofóbicos, na circulação se ligam a proteínas plasmáticas para serem mais facilmente transportados. Encontramos no sangue, uma porção ligada a proteínas e outra livre para atuar na célula. A porção ligada precisa primeiramente se desligar da proteína em questão, para poder exercer sua função.
Por ser lipossolúvel pode entrar na célula, atravessar a membrana nuclear (que também é lipídica) e atuar diretamente no núcleo, escolhendo no DNA a sequência necessária à produção da proteína que ele precisa. Os receptores para esse tipo de hormônio não estão na membrana celular, mas no interior da célula.

Diferenças entre esses tipos de hormônio

Se pararmos então para analisar as diferenças entre hormônios proteicos e esteróides perceberemos que o primeiro pode ser estocado, por isso está envolvido em atividades rápidas, como por exemplo a ocitocina envolvida na ejeção do leite e no momento do parto, a disponibilidade desse hormônio é muito rápida, por ser estocado, e os níveis dele também caem muito rápido por serem transportados livremente na circulação e portanto serem mais facilmente destruídos. Já os esteróides a disponibilidade é lenta, por que como não é-são armazenados, precisam primeiro ser produzidos, e seus níveis também demoram a cair, pois na circulação ele é transportado com auxílio de uma proteína e para atuar na célula, precisa primeiramente se desligar dela.
OBS: O hormônio livre, pode agir na célula, mas pode também ser destruído com mais facilidade. O ligado a uma proteína não consegue agir na célula, mas também não é destruído.
Há algumas exceções, alguns hormônios não são classificados nem como proteicos e nem como esteróides, mas são considerados hormônios por agirem como tal. Por pertencerem a essa categoria são também classificados como lipossolúveis e hidrossolúveis.

Mecanismo de controle dos hormônios

O controle é feito por Feed Back, também conhecido como retroalimentação. É um mecanismo de controle sobre a atividade de uma glândula, que ocorre de acordo com a concentração de uma determinada substância na circulação. Existem dois tipos de Feed Back, o negativo e o positivo. O positivo ocorre toda vez que há estímulos diretamente proporcionais, por exemplo, quando a glicose aumenta no sangue a insulina também aumenta, quando a glicose diminui, a insulina também diminui. O Feed Back negativo ocorre quando os estímulos são contrários, ou seja inversamente proporcionais, por exemplo, quando o Ca aumenta o Paratohormônio diminui, e quando o Ca diminui o Paratohormônio aumenta, o mesmo exemplo se aplica a glicose e o glucagon.